PERSONALIDADES MARCANTES
LUIZ RAMOS DE LIMA - Mús.
( 03-07-1872   30-06-1938)

Foi esse notável conterrâneo, em todo o Brasil, um dos mais comentados e aplaudidos compositores de música popular, pela imprensa e pelo Rádio. Um dos maiores divulgadores de sua música foi seu amigo e seu grande admirador Ari Barroso.

Filho de Fructuoso Ramos de Lima e de D. Ana Maria de Jesus Lima. Casou-se em 24-04-1892 com D. Orminda Rennó Lima, nascida em 11-09-1875 na fazenda da Estância, e falecida em 11 -09-1957 com 82 anos, filha de Luiz Francisco Rennó e de Maria Justina de Paula. Filhos: Maria Guilhermina de Lima Medeiros (Bilu), nascida em 14-06-1893 e falecida em 02-01-1966, casada em Aparecida-SP, em 24-10-1912 com o advogado Geraldino Furtado de Medeiros: e José Ernani de Lima (14-04-1895), falecido em 11 -09-1986, Engenheiro.

O maestro e compositor Luiz Ramos de Lima é uma das maiores glórias das tradições artísticas de Itajubá. Como a arte, no interior, mormente naquela época, não dá pão a ninguém, fez-se comerciante. Foi o fundador, em 1905, da loja "A Primavera", que passou, anos depois, a Fortunato Peixoto. Foi sócio de seu irmão João Ramos de Lima de uma outra loja em 1890, da firma Maia & Lima, proprietária de um estabelecimento comercial do século XX.

Os outros sócios foram Antenor Vianna Braga e Joaquim Gonçalves Maia. Em "A Verdade" de 27-06-1920 há esta notícia: "Para o cargo de Perito Lançador da 54º Circunscrição do Imposto Territorial do Estado de Minas Gerais foi nomeado o Sr. Luiz Ramos de Lima, editor desta folha, o qual já tomou posse desse cargo, há alguns dias. A sua circunscrição abrange os municípios de Silvianópolis e Pouso Alegre, sendo a sede nesta ultima localidade". Era guarda-livro de diversas casas comerciais de Itajubá. Foi caixeiro-viajante, em fins do século XIX, de duas importantes firmas comerciais do Rio de Janeiro, em zonas não servidas por estrada de ferro, percorridas a cavalo com tropas. Em 1904 era o "corretor" das companhias se seguros Sul América, da Lloyd Sul-América e da Adriática de Seguros. Além disso, teve uma agência lotérica, no início do século XX. Amigo da imprensa, fundou os jomais "A Lira"(1889) e "O Colibri"(1897), dos quais foi redator. Foi um dos continuadores de "A Verdade", em sua 2' fase, de 1917 a 1920. Também colaborou em "A Águia", com o pseudônimo de Zilumali. Foi um dos sócios fundadores do Clube Itajubense, em 1897. Conselheiro da Santa Casa de Misericórdia, eleito em 23-08-1901. Nomeado pelo Vigário Padre Tertuliano Vilela de Castro, em 1898, para integrar a comissão encarregada de angariar donativos para o conserto do cemitério velho, embora já não se fizessem sepultamentos nessa ora desaparecida necrópole. Era um dos pioneiros da Loja Maçônica de Itajubá.

O Maestro Luiz Ramos de Lima, um dos maiores vultos da música brasileira, aprendeu a arte com o compositor Feliciano José Pinto da Silva, outro grande nome da música itajubense, seu tio, irmão de sua mãe. Com apenas 15 anos de idade compôs o dobrado "Piquira", sua primeira composição instrumentada pelo próprio autor. Foi músico e também regente da banda de música "União e Trabalho" e secretário da "União Democrata", corporação musical surgida em 1892. Em 1904 era regente da "Euterpe Mineira", naquele ano fundada. Em 22-02-1919 a Sociedade de Concertos Sinfônicos, do Rio de Janeiro elegeu-o, por unanimidade, para sócio honorário daquele instituto artístico. Pertencia à Academia de Ciências e Artes do Rio de Janeiro. Participou de vários concertos e apresentações no Teatro Santa Cecília e no Clube Itajubense. Antônio Franzoso e Maria Franzoso, em 27 de janeiro e 2 de fevereiro de 1905, realizaram concertos líricos no Clube Itajubense, para o que contaram com o auxílio de Luiz Ramos de Lima.

No Teatro Santa Cecília, em 1901, alcançaram invulgar sucesso suas operetas intituladas "O Doutor da Mula Ruça", "Santinha de Carne e Osso" e "A Fidalguinha da Granja", respectivamente em 11, 12 de maio e 2 de junho daquele ano, com reprises em 22 e 24 de junho. Esta última contou como um dos figurantes, com o notável ator dramático Santos Lima, e foi reapresentada, no mesmo Teatro Santa Cecília, em 15-06-1903. Luiz Ramos de Lima mantinha aulas de música, de canto e de piano. Foram suas alunas, entre tantas outras e outros, Almerinda Cabral Dias, Laurinha Pinto e Anita Pinto Santiago.

É muito grande o catálogo de suas composições, cerca de 300, entre as quais estão: "Miosótis" (xote), "Madrigal" (xote 1908), "Antes de Partir" (Canção, 1905, lançada pelos editores E. Bevilaqua & Cia., do Rio de Janeiro, composição essa dedicada à sua discípula Lavínia Venturelli), "Dois Destinos" (1911, romanza, com letra do poeta Mendes de Oliveira, publicada em Bruxelas), "Por Quê?" (1890, polca, dedicada a José Manso Pereira Cabral), "Segredinhos" (1902, xote), "Caminho da Glória" (valsa), "Sonhei Contigo" (1903, xote), "Não me Fites" (modinha, gravada em disco, em São Paulo, pelo tenor Santeno Giannattario),

Foto, D. Orininda Rennó de Lima, a esposa de Luiz Ramos de Lima

"Paixão de Caboclo" (canção sertaneja, gravada em disco por Eduardo Souto), "Choça do Monte" (serenata), "Flanando" (xote), "Itajubá" (revista, com letra de Pedro Bernardo Guimarães), "Éden" (revista), "Mio Pensiero" (fantasia para flauta),"Santinha dos Coqueiros"(toada),"Aurora de Itajubá” (marcha rag-time), "Luar de Itajubá" (foxtrot), "Crepúsculo de Itajubá" (valsa), "Lágrimas do Brasil" (mazurca, gravada em disco de gramofone), "Viveu de Amor" (1931, marcha gravada em disco da RCA Victor por Albenzio Perrone), "E o Câmbio?" (polca), "Talismã" (gavota, 1919); "Diálogo de Amor" (1915, valsa), "Los Angeles" (fox-trot). "E Nada Mais" (canção), "Luxúria" (marcha, 1928), "Roceiro" (1926, tango), "Juramentos" (1935, cantiga), "Hino Colegial" (1894), "Ciganinha" (xote), "História de Um Beijo" (xote), "Dolorosa" (xote, 1909), "Angústias" (valsa, 1921), "Martírios" (xote, 1904), "Buenos Aires" (tango), "A Seus Pés" (tango), "Reminiscências" (valsa), "Simpatia" (canção), "Saudades de Minha Terra" (valsa), "Maria Adelaide" (valsa, 1905), "Noêmia" (valsa, 1905), "Queixosa" (valsa), "Mimosa" (valsa), "Amorosa" (polca), "Avante" (marcha), "Hino de Despedida" (para a Escola Normal Sagrado Coração, com letra de Pedro Bernardo Guimarães), "Jaó" (marcha), "Patética" (xote), e os dobrados "Tiradentes", "São Benedito", "High-Life", "Pirata", "A Bala", "Aventura", "23 de abril", "Santa Cruz" e "Itajubá". O Eng. José Ernani de Lima, filho de Luiz Ramos de Lima, organizou um catálogo quase completo das obras de seu pai. Quase todas suas músicas foram impressas, mas deixou inúmeras outras inéditas.

Além de tantas valsas, canções, mazurcas, xotes e tangos, compôs ainda muitas gavotas, "berceuses", toadas, hinos, "vaudevilles", muita música sacra e até minuetos. Entre suas composições sacras estão: "ó Divina Eucaristia" (1919), "Tu És Maria" (1922), "ó Salutaris", "Quantas Estrelas!" (para o mês de Maria), "Súplica a Maria Santíssima" (4 vozes), "Tantum Ergo" (para tenor, com acompanhamento de harmônio), "Jaculatória do Sagrado Coração de Jesus", "Hino à Virgem Maria" (para a coroação), "Ladainha", "Antífona do Espírito Santo", "Ave Maria" (oferecida ao Bispo Dom João Nery, (1901), "Missa de São Benedito', Cantos da Semana Santa" (Verônica e Maria Beús), "Domine et Glória Patri", "Antífona" (a 4 vozes), "Jaculatória a Santo Antônio" (a 4 vozes) "Jaculatória do Espírito Santo", "Jaculatória de São Sebastião" e "Cântico de Natal".

Sua última composição, já pressentindo a morte, foi "Adeus à Vida", que se tomou o seu "Canto do Cisne"...

No catálogo das obras de Luiz Ramos de Lima, organizado por seu filho Eng. José Emani de Lima, constam 15 composições de música Sacra do grande compositor itajubense.

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