FAMÍLIA BEATO OU BEATTO
Descrição do Brasão

A família Beato de Lisboa possui um brasão bem interessante.

Ele é feito de um escudo prateado. Ao centro tem-se o símbolo de uma águia vermelha segurando pelo bico um objeto na cor preta. Nos lados pode-se notar a presença de duas folhas verdes, e no meio delas um volante de navegação. Embaixo da ave tem-se também o que representa algumas ondas, a água, na cor azul em contraste com a cor do escudo.


Origem

O sobrenome Beato ou Beatto, assim como tantos outros, não surgiu no Brasil, por uma simples razão de que o Brasil foi colonizado e habitado primeiramente por estrangeiros. Dessa forma, os sobrenomes vêm de outros países e acabam ganhando popularidade uma vez que os imigrantes fizeram do Brasil sua nova morada.

Este é um sobrenome de origem portuguesa que deriva de um nome próprio de origem religiosa. Ele vem do latim Beatus que tem significado de feliz ou o que faz alguém feliz. Foi o nome de inúmeros santos e santas, tornando-se assim um nome popular antigamente que deu origem também ao nome Beatriz

Como sobrenome podemos classifica-lo como um patronímico, pois deve ter passado a sobrenome através de um filho do Sr. Beato, que acabou por ficar conhecido como “Fulano Beato”, disseminando assim o sobrenome aos descendentes.

Pelas informações pertencentes no brasão, podemos dizer que esta família possui sua origem em Lisboa. Se sua origem for realmente de outra região de Portugual, ao menos se sabe que este é um sobrenome português que tem família tradicional na capital, Lisboa.


História

A cidade

AO Beato é uma das mais antigas freguesias de Lisboa e, dentro das suas fronteiras, guarda realidades distintas e ricas, desde a História ao património, da dinâmica social aos serviços, concedendo à cidade, ainda uma frente de rio que está perto de ser devolvida aos seus moradores.

Lugar de antigas quintas e palacetes, nos últimos anos, a requalificação social e urbana tem posto em marcha inúmeros projectos que visam melhorar a qualidade de vida das populações.

O Beato e o seu passado histórico

Longe vão os tempos em que para se sair da cidade de Lisboa, em direcção ao Norte do País, se tinha de passar pela estrada do viaduto de Xabregas. Lisboa, a capital formosa do Império, terminava na pequena povoação do Beato António (actual Freguesia do Beato), que fazia fronteira com o Concelho dos Olivais e tinha nas proximidades a aldeia de Marvila, um povoado de alguns casebres, reunidos à volta do Palácio do Marquês de Abrantes.

A transição da cidade para o campo, ainda sem os contrastes dos tempos modernos, era serena e a paisagem, enriquecida com a presença de um Tejo sadio, dominada pelos palacetes e quintas da Nobreza.

Xabregas, o centro nevrálgico não só da freguesia, mas de toda a zona oriental da cidade, era o cartão de visita dos sítios do Beato António, compreendido na então Paróquia de S. Bartolomeu, cuja origem se perde na conquista da nacionalidade.

No largo de Xabregas, onde antes o rio chegara à entrada principal do Paço Real, morada de El-Rei D. Afonso III, O Bolonhês, juntavam-se no final do século XIX e nos princípios do século X, as carroças de transporte dos mecanismos industriais, das matérias primas e dos primeiros produtos vindos das fábricas.

O terramoto de 1755 destruiu ou danificou grande parte dos inúmeros palácios, conventos e casas da nobreza desta Paróquia e a Revolução Liberal de 1832 que, em muitos casos, não controlou a profanação dos templos cristãos existentes, foram sem dúvida os mais importantes factores de transformação do espaço onde hoje se situa a Freguesia do Beato.

O cataclismo que abalou a cidade em meados do século XVIII teve um efeito devastador na zona oriental. Conventos, mosteiros, igrejas e o próprio Paço Real de Xabregas, em poucos minutos ruíram como castelos de cartas. Dos escombros pouco se aproveitou e a solução foi, na maioria dos casos, fazer edifícios novos.

Por outro lado, a Revolução Industrial, cujos vestígios ainda hoje permanecem em toda a zona ribeirinha oriental, alterou completamente os hábitos e costumes da população do Beato e transformou a freguesia. Os campos abertos deram lugar às fábricas e à construção de bairros habitacionais para as famílias operárias. A paisagem foi alterada radicalmente em poucos anos e, daquela época em que o Beato era campestre, restam hoje apenas as pequenas hortas do Vale de Chelas.

A Origem da Freguesia do Beato

As informações disponíveis sobre a Paróquia de S. Bartolomeu, que viria a dar origem ao Beato, não são muito fartas, pelo menos até ao século XVIII.

Historiadores com base em testemunhos de cronistas da época, defendem que a freguesia, enquanto instituição, apresentava características estáveis e duradouras e que a população estabelecia um contacto constante e afectuoso, durante toda a sua vida, com a paróquia.

Paróquia, como se sabe, foi a designação dada às freguesias, até à implantação da República, em 1910. A partir desta data os registos paroquiais começaram a transitar progressivamente para o Registo Civil.

A nível territorial, a formação da Freguesia do Beato passou por três etapas cronológicas fundamentais:

 1. A Paróquia de Santa Engrácia nasceu de uma divisão da Paróquia de Santo Estêvão, em 1569. Nos limites da nova Paróquia ficou compreendida toda a zona de Xabregas e grande parte da área que hoje conhecemos como a Freguesia do Beato.

 2. Santa Engrácia, juntamente com os Olivais, na Segunda metade do século XVIII, deu origem a uma nova paróquia: S. Bartolomeu, mercê de uma nova divisão administrativa da cidade de Lisboa.

 3. S. Bartolomeu ficou então sediado na Travessa do Rosário, em Santa Clara. Mas alterações administrativas posteriores transferiram-na para outros locais. Finalmente, no século XIX, a Paróquia foi remetida para o Convento de S. Bento, em Xabregas, - dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista - hoje Convento do Beato, situado na alameda com o mesmo nome.

 4. No auge da Revolução Liberal, em 1835, a Paróquia de S. Bartolomeu, trocou o Convento de S. Bento pelo Mosteiro do Monte Olivete, a actual Igreja de S. Bartolomeu do Beato, onde também esteve instalado o Convento do Grillo.

 5. A extinção das Ordens Monásticas havia levado o Governo a decretar a transferência da Paróquia para o Convento dos Frades Franciscanos, de Nossa Senhora de Jesus, de Xabregas, onde mais tarde seria instalada a Companhia dos Tabacos.

 6. A mudança porém não chegaria a concretizar-se, devido à oposição do povo, porque aquele templo se encontrava em péssimo estado por causa das profanações e saques de que havia sido alvo, no decorrer das revoltas liberais.

 7. Assim, viu-se obrigado o Governo a recuar e por fim, a Paróquia foi instalada, em Novembro de 1835, no Convento de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete.


No que respeita ao nome da freguesia defendem vários historiadores que teve origem num tal beato António da Conceição, que se empenhou em buscar auxílios para a construção de um convento e de uma igreja, fundados por testamento da Rainha D. Isabel de Lencastre, mulher do Rei D. Afonso V.

A Igreja que hoje conhecemos como Convento do Beato resistiu em 1755 ao grande terramoto. Em 1834, com a Revolução Liberal, o templo passou para a posse do Estado, sendo então profanado. Mais tarde o convento foi vendido a diversos particulares, sendo um deles João de Brito, um industrial que ali se estabeleceu, fazendo uma fábrica de bolachas e moagem de cereais. A fábrica viria a dar origem à Companhia Industrial Portugal e Colónias.

Dos vários Palácios edificados na freguesia do Beato, podemos ainda hoje apreciar:

  • Convento do Beato, na Alameda do Beato, hoje propriedade de “A Nacional”.
  • Convento de Santa Maria de Jesus, ou o Paço Real de D. Afonso III - onde está instalado o Teatro Ibérico, ergueu-se outrora o Convento de Santa Maria de Jesus, mas, anteriormente, no século XIII ali ficava o Paço Real de Enxobregas.
  • Conventos do Grillo - na actual Rua do Grilo, existiram em tempos dois conventos, um para freiras e o outro para frades, designados por “Grillos”. Hoje Igreja de S. Bartolomeu do Beato e Manutenção Militar.
  • Palácio dos Marqueses de Olhão - na Rua de Xabregas, onde em tempos se terão reunido, alguns dos heróis da Revolução de 1640, que restaurou a Independência Nacional e quebrou o domínio castelhano.
  • Palácio dos Duques de Lafões - instalado na Calçada Duque de Lafões, cuja fundação data de finais do século XVIII (1777).
  • Convento de S. Félix (Chelas), edificado numa extremidade do Vale de Chelas, lugar onde hoje funciona o arquivo militar.
  • A freguesia do Beato é constituída por vários lugares que vão desde a Alameda do Beato até à encosta da Picheleira, passando por Xabregas e pelo Vale de Chelas - lugares repletos de história, principalmente Chelas e Xabregas.

    À origem de Chelas atribuem-se algumas lendas, mas quanto ao verdadeiro significado da palavra Chelas não há certezas, embora alguns historiadores atribuem-lhe uma etimologia latina (planella chaela = pequena planície). Em relação a Xabregas a toponímia histórica não deu uma explicação segura. Devido à sua localização junto ao Tejo, há quem relacione o nome com Xavega (do árabe xabaka), rede de arrasto. O nome Xabregas também pode ser associado à existência de uma povoação romana chamada Axabrica, tendo em conta os vestígios da respectiva povoação encontrados na zona.


    Séculos XII a XIV

    Após a reconquista de Lisboa e arredores em 1147, o rei fez numerosas doações de terras às ordens militares e religiosas, assim como a elementos da nobreza. O território que hoje integra a freguesia do Beato existia já nos inícios do século XIII, sendo na altura constituído por vinhas, olivais e almoínhas. Em 1149 e 1150, as terras de Marvila, que na altura abrangiam parte da actual freguesia do Beato, foram doadas ao Bispo e ao Cabido da Sé de Lisboa. As inquirições de 1220 eram os grandes proprietários na zona, além da Ordem de Santiago (vinha em Chelas), o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (vinha e olival em Concha) e os Templários (vinhas, olivais e almoínhas em Xabregas e Concha).Em meados do séc. XIII, D. Afonso III terá mandado construir um paço em Xabregas, o Paço Real de Xabregas, onde actualmente fica o edifício do Convento de Xabregas (Instituto de Emprego e Teatro Ibérico). Algumas referências mencionam uma torre e um laranjal, e em 1373, o paço de Xabregas foi incendiado, ficando em ruínas até meados do séc. XV.Em 1397, foi criada a freguesia de Santa Maria dos Olivais e nela ficou incluída toda a área do actual Beato.


    Séculos XV e XVI

    Em 1455, a rainha D. Isabel deixou em testamento oito mil coroas de ouro para a obra do convento que ficaria a ser designado por Convento de S. Bento de Xabregas, sendo mais tarde convertido em sede principal da Ordem de S. João Evangelista (Loios). Por essa altura, estava concluído, a ocidente, o convento de Santa Maria de Xabregas, no local das ruínas do Paço Real, que ficaram ao abandono desde o incêndio. No século XVI, Xabregas era um lugar dos mais aprazíveis do Termo de Lisboa, com as suas hortas e pomares, e também uma praia. D. João III pretendia construir no local uns magníficos paços régios, mas tal obra não terá passado dos alicerces. Era na praia de Xabregas que se realizavam torneios de cavalaria, touradas e os tradicionais jogos de canas. Em 1570, frei António da Conceição, vindo de Évora para o convento de S. Bento de Xabregas, viria a destacar-se no auxílio aos pobres e nas obras de renovação do convento. Ao falecer, em 1602, tinha ganho a fama de santidade e o povo chamava-lhe o Beato António, e à sua obra, Convento do Beato António, depois mais simplesmente Beato, nome que hoje denomina a freguesia.


    Séculos XVII a XVIII

    Em 1640, Xabregas/Beato era um dos mais activos centros de conspiração para acabar com o domínio filipino. Um dos fidalgos conspiradores era D. Gastão de Sousa Coutinho, cujo palácio era junto à calçada que ainda tem o seu nome e onde está hoje a Escola Primária n.º 20. Em 1644, D. Gastão mandou edificar junto do seu palácio, uma ermida dedicada a N. Sª. da Restauração, da qual não restam vestígios. O palácio tinha cais fluvial próprio, onde actualmente se situa a Rua da Manutenção e onde ainda se pode observar alguns vestígios.

    Em 1662, a rainha D. Luisa de Gusmão retirou-se para uma quinta entre Xabregas e Marvila em sitio muito agradável sobre o rio Tejo’, num lugar chamado Grilo. Ali fundou um convento de religiosas Agostinhas Descalças (no local da actual Manutenção Militar) e quase em frente outro convento para os Agostinhos Descalços (Igreja de S. Bartolomeu e Recolhimento). No final do século havia, desde Xabregas ao Beato, quatro conventos, e que ao considerarmos outros tantos que ficam perto (Santa Brígida de Marvila, Chelas, Madre de Deus e Santos-o-Novo), podemos calcular a elevada presença de frades e de freiras entre a população local.

    Aquando do terramoto de 1755, que não fez muitos estragos na zona, só o Convento de S. Francisco sofreu maiores danos, e considerando o desenvolvimento local foram as razões para o Beato ter sido escolhido para se estabelecer uma das paróquias da cidade - a paróquia de S. Bartolomeu. Sendo uma das freguesias mais antigas de Lisboa, desde 1168, S. Bartolomeu tinha sede nas vizinhanças do Castelo. Depois do terramoto, esteve provisoriamente instalada na ermida de N. Sª do Rosário e mais tarde estabelecida na igreja do Beato António, também chamada de S. Bento de Xabregas.

    A mudança de freguesia, do Castelo para o Beato, levou a que tivesse de lhe ser demarcado um novo território, à custa de uma parte da área da freguesia de Santa Engrácia e de outra parte retirada à freguesia de Santa Maria dos Olivais. No final do século XVIII, a freguesia do Beato tinha 380 fogos e 1500 habitantes. Em 1777, foi construído o palácio Duque de Lafões e em 1785 se estabeleceram, no Vale de Chelas, as primeiras unidades fabris - duas estamparias de chitas.


    Palácios e Conventos dão lugar a Fábricas

    Em 1814 já existiam três fábricas de estamparia no Vale de Chelas, no entanto, «a verdadeira transformação do mundo rural de Xabregas/Beato ocorreu a partir da extinção das ordens monásticas, após a revolução liberal de 1832-34.»(Pelas Freguesias de Lisboa, C.M. de Lisboa, 1993) As primeiras unidades industriais importantes, estabeleceram-se em edifícios religiosos ou em palácios. A Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense foi a primeira fábrica a instalar-se em Xabregas, no convento de S. Francisco de Xabregas. No Convento dos Grilos, em 1835, e por já não ter frades, instalou-se o Recolhimento de Nossa Senhora do Amparo, transferido da Mouraria. A igreja passou a ser a sede paroquial de S. Bartolomeu do Beato, em 1836, vinda do vizinho convento do Beato António. Esta zona, apesar da rápida mutação em curso, continuava a ser um espaço agradável, sendo dos mais preferidos para os passeios de domingo do povo lisboeta. Em 1852, foram definidos novos limites para a cidade e construída a Estrada da Circunvalação, ficando a freguesia do Beato fora dos limites da cidade. Na mesma altura, era criado o concelho dos Olivais e nele ficou integrado a freguesia do Beato até 1886.

    Curiosidades

    A origem dos sobrenomes vem inicialmente como forma de reconhecer pessoas a partir de uma atividade profissional, apelido, nome do pai ou região de onde vinha, uma vez que só o nome já não era o bastante para reconhecer uma pessoa e diferenciá-la dos outros com o mesmo nome próprio. Este é um dos poucos e singulares casos de surgimento de um nome de família.


    Variantes do sobrenome

    As variações gráficas deste sobrenome são Beato e Beatto. Outros moldes gráficos não foram encontrados. A palavra em si não admite tantas mudanças e desde que se estabeleceu uma família, Beato é o sobrenome mais comum.


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