PERSONALIDADES MARCANTES
CYRILLO RODRIGUES DE SOUZA
( 10-06-1909   18-04-2003)

Cyrillo foi um poeta ingênito. Seus versos são naturais, fluentes, espontâneos, bem soantes e corretamente metrificados e rimados. Era um primoroso sonetista. Em 1991 publicou o livro "Caminhos Estreitos", no qual enfeixou algumas de suas composições poéticas. Pertencia a AIL, ocupando a Cadeira nº 18, cujo Patrono é o educador e

na foto de 1928, numa praça em São Paulo, quando o poeta, aos 19 anos, em companhia do velho pai (de chapéu e terno escuros), visitava, pela primeira vez, a famosa Paulicéia.

jurista Geraldino Furtado de Medeiros, fundador, em 1925, do Colégio São Vicente de Paulo (prédio ora transformado em Convento das Irmãs da Providência de Gap).

Cyrillo nasceu em Cristina-MG, berço de homens ilustres da política nacional, nas artes, intelectualidade e na espiritualidade. Era filho de Joaquim Rodrigues de Souza e de D. Ana Cândida do Espírito Santo. Aos 5 anos de idade mudou-se com a família para o município de Itajubá, vindo morar no Rio Manso, no distrito do Lourenço Velho, onde já existia uma Escola, que ele freqüentou, concluindo o curso primário aos 11 anos. Aos 16 anos mudou-se para Maria da Fé-MG, onde teve oportunidade de estudar Contabilidade. Adquiriu grande prática em Escrituração Mercantil. Religioso, estudou Teologia Dogmática no Circulo São Francisco de Assis, do qual foi secretário. Foi Presidente da Irmandade do Santíssimo Sacramento durante 12 anos.

As atividades profissionais de Cyrillo Rodrigues de Souza podem ser assim mencionadas segundo a sinopse biográfica muito bem elaborada pelo Vereador Ulysses Gomes de Oliveira Neto: Trabalhou inicialmente como balconista da loja de seu pai, da qual assumiu a direção aos 18 anos de idade. Trabalhou no escritório da fábrica de charutos de Arlindo Zaroni, em Maria da Fé. Vindo para Itajubá, retomou às atividades comerciais. Foi contabilista da Casa Vera Cruz, e era proprietário de uma chácara, desenvolvendo nela algumas laborações como industrial.

Cyrillo prestou sua valiosa cooperação à vida política de Itajubá. Foi vereador durante o quatriênio 1955-1958, período perturbado com

na foto, Cyrillo está metrificando alguns de seus primeiros versos com o auxílio do violão.

licenças especiais e renúncias, e que teve como Prefeitos Luiz Goulart de Azevedo (1955-1956), Antônio Rennó Pereira (1956-1957) e Vicente de Sales Dias Filho (1958). Cyrillo foi Presidente da Câmara nesse período (1858) e também foi Secretário do Legislativo. E foi ainda Vice-Presidente da Câmara nesse quatriênio. No quatriênio seguinte (1959-1962), na gestão do Dr. Vicente Vilela Vianna, foi o genial poeta novamente eleito vereador, e reeleito Presidente da Câmara (1953). Exerceu a ftmção de Comissário de Menores e de Juiz de Paz, por nomeação do Governador Rondon Pacheco. Fez parte da COMASP (Comissão Municipal de Assistência aos Pobres), fundada em 1959.

Cyrillo Rodrigues de Souza, ainda muito jovem, com apenas 22 anos, casou-se com D. Ana Santos de Souza, itajubense, que lhe deu 13 filhos. São eles:

Maria Aparecida Rodrigues Costa, Lauro Rodrigues de Souza, Isa Rodrigues de Souza, Nelson Rodrigues de Souza, Neuza Rodrigues de Toledo, Jefferson Rodrigues de Souza, Ruth Rodrigues Takimoto, Rubens Rodrigues de Souza, Jairo Rodrigues de Souza, Marcos Rodrigues de Souza, José Paulo Rodrigues, Levy Rodrigues de Souza e Washington, sepultado com apenas 4 dias em 04-09-1934, segundo apontamentos no registro paroquial de Nossa Senhora da Soledade.

Já se sentindo combalido, agastado com as deficiências, as agruras e dissabores deste mundo, Cyrillo encontrou "O Melhor Remédio", que fomos encontrar na publicação mensal denominada "3º Domingo", Informativo da Academia Itajubense de Letras, no número 158, de fevereiro de 2003, que, assim supomos, foi seu último soneto: O MELHORREMÉDIO

As dores são sinais que, comumente,
nos levam a pensar no fim da vida.
Alguém que já viveu o suficiente,
que importa agora a sua despedida?

Certo é que muita gente se intimida,
ao perceber a morte pela frente...
Mais vale um bom momento de partida
que uma ancianidade dependente...

O que mais nos aflige é a dor da alma!
A mais pungente dor que não se acalma,
é aquela que nos vem da ingratidão!

Mas quando a dor da alma nos tortura,
é fácil encontrarmos sua cura
no bálsamo divino do PERDÃO!!!
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