PERSONALIDADES MARCANTES
NAIR PRADO - PROFa.
( 1913   10-02-2008)

Nair Prado, tinha 95 anos, educadora, era solteira e não deixou filhos. Mora com a sua irmã Ercillia Prado (Siluca) falecinda em 2006. Após a morte de sua irmã, passou a morar sozinha.

Figura de extrema importância para o desenvolvimento sócio-educacional de Itajubá e região. Educadora eminente, natural de Tambaú (SP), Nair Prado formou-se normalista em 1928 e, no ano seguinte, iniciou carreira no magistério público até se aposentar, em 1965. Atuou como professora primária, professora de Educação Física – pioneira na área, diretora técnica, inspetora regional de Ensino e secretária municipal de Educação na administração do ex-prefeito Pedro Mendes. Entre várias conquistas, esteve diretamente ligada à instalação do Museu Wenceslau Braz, da Academia Itajubense de Historia, da 15ª Superintendência Regional de Ensino, do Senac – Itajubá e do Colégio XIX de Março, o qual recebeu este nome por ter sido inaugurado no aniversário da cidade e contar, inicialmente, com 19 crianças matriculadas. Em Colar de Pérolas – “Presença e Pioneirismo da Mulher Itajubense” (São Paulo: Chevalier, 2001), Dona Nair afirma que a fundação do XIX de Março veio de um ideal dela em “criar uma escola de formação de professores que também tivesse o Jardim de Infância e o Primário”.

Em 2002, ocasião em que o Jornal O SUL DE MINAS comemorou a marca de 3 mil edições, D. Nair Prado, tida como uma das personalidades mais respeitadas da cidade, opinou sobre este veículo de informação do qual foi colaboradora e que, hoje, continua a contribuir com seus ideais através da coluna ‘VOZ DE MULHER’, de responsabilidade do Movimento Pró-Mulher Professora Nair Prado. “Fui colaboradora e sempre gostei de colaborar. É um jornal sempre muito cuidadoso em dar as notícias, em levar à população as informações que colhe, tudo com um espírito de muito critério, de muita ponderação, sem partidarismo. Não é agressivo (...) e por isso ele se torna um jornal muito querido. (...) O tempo que ele existe prova o conceito que goza no seio da nossa sociedade; (...) dos lugares que tenho visitado, as pessoas que conhecem Itajubá sempre perguntam pelo OSM”, declarou Nair, em novembro daquele ano. Nesta época, o Pró-Mulher acabara de conseguir sua sede própria junto à Prefeitura. Atualmente, o Movimento não possui local fixo.

D. Nair lutou pelos direitos das mulheres, através de entrevistas que concedeu por ocasião dos eventos do Movimento Pró-Mulher. “Falta à mulher itajubense a consciência participativa e o conhecimento de que seus deveres são compatíveis com seus direitos”, argumentou, sobre a participação feminina no III Fórum da Mulher, em fevereiro de 2003. “A participação feminina deve seguir em todos os setores da comunidade, como nas fábricas, nos escritórios e até mesmo na vida doméstica, e é claro, incluindo ainda a política”, defendeu.

Em entrevista ao jornal da cidade, em março de 2003, ela declarou que passou grande parte de sua vida esbarrando em preconceitos para exercer seu papel na sociedade, tendo sido inclusive barrada em um curso de Datilografia em São Paulo (SP), no ano de 1925. “Como não quiseram me aceitar, paguei para que um tio me ensinasse”, revelou. “Desde que me tornei professora passei a me preocupar em ajudar a mulher. Sempre lutei para que, primeiro, ela pudesse entender quem é e o que ela poderá vir a ser. Muitas mulheres, pela própria educação que tiveram, não têm consciência de seu valor. Mas nós, que temos este entendimento, temos a obrigação de levar isso em frente”, afirmou.

Fanática pela natureza, devido a sua origem de família rural, D. Nair cobrou a necessidade de um parque arborizado, portais na entrada da cidade, exposições de flores e um painel fixo na Praça Theodomiro Santiago com as atividades da administração realizadas diariamente em prol da preservação da ecologia no município.

Nair Prado faleceu vítima de traumatismo craniano devido a uma queda em seu apartamento. Seu corpo foi velado na capela da Unifei e seu corpo foi sepultado no Cemitério Paroquial.

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